terça-feira, 28 de junho de 2011

Soneto de Fidelidade

  De tudo, ao meu amor serei atento.                       
  Antes, e com zelo, e sempre, e tanto.
  Que mesmo em face do maior encanto
  Dele se encante mais meu pensamento.

  Quero vivê-lo em cada vão momento
  E em seu louvor, hei de espalhar meu canto
  E rir meu riso e derramar meu pranto
  Ao seu pesar ou seu contentamento

  E assim, quando mais tarde me procure
 Quem sabe a morte, angústia de quem vive
 Quem sabe a solidão, fim de quem ama


 Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário