terça-feira, 29 de novembro de 2011

Elixir Da Vida Eterna

Surge, aos seus olhos tocarem os meus,
Uma energia, um sonho, uma luz
Refletindo a pureza, a alegria que me conduz
Ao encontro com teu sorriso, estrela que reluz

E o tocar da sua pele,
Assim, tão leve, faz meu pulso acelerar,
Límpido como neve, faz o tempo congelar.

A face da beleza que vejo na tua boca,
A atração perfeita que está sujeita a minha de te beijar,
Uma voz doce e quase sempre roca,
A esperança infinita desse momento nunca acabar

Um sentimento incomum, quase raro,
Tomou conta do meu existir.
Pra sempre, muito mais que caro;
O verdadeiro elixir!

Jean Rech

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Poética do Confidente

Desde que te vi,
Logo me apaixonei,
Tudo mudou de cor,
O tempo congelou
E uma estranha magia
Tomou conta do meu olhar

Desde que te vi,
Logo me encantei,
Minha boca secou,
Meu coração acelerou,
Minhas mãos tremiam
E minha mente parou

Quando me perco no teu sorriso,
Quando me encontro no teu olhar,
É como entrar no paraíso
Sem nunca ter estado lá

A beleza que vi naquele rosto,
A pureza que vi naquele olhar,
A inocência que há no teu sorriso,
Só me fazem me apaixonar

E quando tu beijaste minha boca,
Que sonho, que coisa louca.
Cada impulso em meus sentidos
Foram junto com meus lábios
Realizar meus desejos reprimidos

Como é bom,
Que fascínio te encontrar,
Cada segundo, cada momento
Jamais irá acabar.

Preso por minh'alma,
Viciado no teu cheiro.
Tua voz me acalma,
Mas me leva ao desespero

Oh, lindo anjo,
Não renegues meu carinho,
Não deixe que este poeta
Continue tão sozinho

Oh anjo de olhar caramelado,
Venha, atenda meu chamado.
Vem anjo dos olhos de amendoim,
Permita que este sonho nunca chegue ao fim.

Jean Rech

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Soneto de Carmim

Da flor que foi plantada,
Da semente sem cor,
Surgiu meu carinho,
Surgiu meu amor.

De uma rima apagada,
De um verso sem vigor,
Do pensamento mais sozinho,
De um corpo sem calor

Brotou-se a inocência
Do menino que há em mim
Fez-se dele a aparência.

Deste sonho sem fim,
Não quero a tua ausência
Quero você pra mim!

Jean Rech

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Sonho de Menino

Os ventos daquela tarde
Mudaram toda a minha vida.
Pois, naquela mesma tarde,
O sol se pôs mais cedo
Abriu espaço para a lua, a minha lua,
Que envolveu-me junto à noite
E trouxe paz ao meu adormecer.
Mostrou-me então num sonho
O anjo que me fez viver

Arrebatado por meu desejo
Vi a face do meu anjo
- Que belo anjo!
Disse eu, admirado.
Deu-me ele um sorriso
Mas permaneceu calado

Andamos de mãos dadas pela noite,
Contemplamos nosso próprio luar.
Quanta alegria, quanta emoção,
Mas que linda sinfonia!
Fez-se em mim uma nova oração

Reinventando o paraíso,
Não tive motivos pra acordar.
Deu luz ao meu sorriso
Após o anjo me beijar

De súbito, despertei desolado,
Aconteceu o que eu temia;
O sonho havia terminado.

Em meus sonhos desde então,
Busco desesperadamente pelo anjo.
Vagando e gritando:
-Oh anjo, torne a me visitar.
Deixaste tuas asas
Mas não posso voar.

Daquela noite,
Sobrou-me as asas do meu anjo
Que jamais sairão de mim.
Sobrou-me também a esperança
De que o sonho não chegou ao fim.

Jean Rech

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Prometeu Acorrentado

Livre adaptação de um monólogo do livro "Prometeu Acorrentado", escrito pelo grego Ésquilo.

     Sentado, de costas para a plateia, com uma garrafa de uísque entre as pernas. No palco há apenas um banco antigo.


Prometeu: Ó Deus, todo poderoso! Meu pai e minha mãe! E todos aqueles a quem um dia dei meu amor e fui rejeitado. Vejam a que ponto cheguei! Vejam todo o sofrimento que abate este pobre homem. Estou preso nestes trajes, estou preso nesta vida medíocre. Ah, meu Deus, será mesmo que não há outra saída? Mas o quê que eu tô dizendo? Como se eu já não soubesse que esse é o meu fim, que isso (retira do bolso um frasco de comprimidos e começa a tomá-los com a bebida) é o que restou pra mim. E o pior; o pior, meu Deus, é que eu não posso contestar nada. E logo eu, logo eu. Depois de tudo que eu fiz, tanto sangue e suor, tanta dor, tantos sacrifícios que fiz por estas pessoas ingratas. Me diz, me diz o que diabos eu fiz pra merecer isto? Acabar tudo assim, jogado num banco velho e imundo, estendido feito um nada, e não há ninguém aqui comigo. E o quê que há? Apenas esta garrafa. (fala com a garrafa) Foi sempre assim, não foi? Somente eu e você, nós dois, sozinhos. (pra plateia) Ninguém ao menos pra rir da minha desgraça, pra rir das inúmeras besteiras que eu falo enquanto covardemente a morte não me livra desta angústia. Não há alguém nem sequer pra rir da minha cara. Mas isso não me é estranho, eu nunca tive amigos, ninguém. Eu nunca nem tive um inimigo, ninguém além de mim mesmo. Vivi pelos outros, vivi apenas para o prazer alheio. Nunca reclamei de nada, mas sempre estive caindo nesse precipício solitário. E o que recebi? Só o desprezível desprezo, a incompreensão geral, e a rejeição total. Eu sei o que pensam, sei que vão dizer que nada justifica, sei que pensam que isto não é necessário, mas vocês nunca se colocaram no meu lugar, este é o mau da desumana humanidade, todos só pensam em si próprios, são piores que porcos, são piores que chacais. Eu tenho vergonha de pertencer a essa grande cagada a que chamam de "civilização".
A culpa disso é toda de vocês, olhem bem para o meu rosto, vejam, isto é por causa de vocês. Já não tenho motivo algum pra ficar próximo de seres tão desprezíveis como vocês. Mesmo assim, hoje tudo me apavora. (último suspiro, morte)

Por: Jean Rech