quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Dos Versos Perversos

Ela veio como a noite e me abraçou,
E a tempestade cobriu o sol,
Senti na face o gosto do seu beijo amargo
E o corte descontrolado daquilo que derramaram meus olhos.

Ouvi na alma o som de cada palavra
Ensurdecendo a calmaria que ali havia,
Naufraguei naqueles vocábulos
Afogado em uma lama de ira e hipocrisia.

Derrubou-me o peso das memórias
Que ainda estavam intrínsecas em mim,
Abrindo meus olhos a clareza
Da certeza de que era o definitivo fim

Libertei-me daquele pérfido abraço
Atirando-me tempestade afora em busca de um novo sol
Com a imprudência de novos caminhos,
Embora estes com menos espinhos,
Senti raiar, ainda que entre nuvens,
A aurora de um novo amanhã.

Sorri na verdade do novo verso que me diz:
Não importa o que houve na tempestade,
O dia sempre amanhece feliz.

                                                                       Jean Rech

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Epígrafe

(04/08/2013)
Então, senti escorrer a última lágrima
Revolta em tristeza e solidão,
Senti a dor do seu último toque
A dor do meu exílio sem perdão

E o que era belo, virou ilusão?

Sem seu calor na noite fria,
Sem seu brilho ao raiar do dia,
Sem sono pra adormecer,
Sem sentido pra amanhecer.

E o que era belo, virou ilusão?

Era você que estava ao meu lado,
Ou era minha imaginação?
Quem era a flor que me dava bom dia?
De quem era o abraço que me acolhia?
De quem eram os carinhos e beijos?
Quem era a dona dos meus desejos?

Confuso e sozinho,
Não sei o que passou.
Acho que eu não entendia,
Acho que eu não sabia,
Nem sequer conhecia
Aquela que um dia
Meu coração acelerou.

Então, sinto morrer a última esperança
Afogada em álcool e decepção.
Chaveio com cuidado todas as lembranças
No vazio que ficou meu coração

E o que era belo, permaneceu belo.
O que era puro, permaneceu puro.
E tudo que nós tínhamos não era imortal
Mas foi infinito enquanto durou.

                                                                              Jean Rech