quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Dos Versos Perversos

Ela veio como a noite e me abraçou,
E a tempestade cobriu o sol,
Senti na face o gosto do seu beijo amargo
E o corte descontrolado daquilo que derramaram meus olhos.

Ouvi na alma o som de cada palavra
Ensurdecendo a calmaria que ali havia,
Naufraguei naqueles vocábulos
Afogado em uma lama de ira e hipocrisia.

Derrubou-me o peso das memórias
Que ainda estavam intrínsecas em mim,
Abrindo meus olhos a clareza
Da certeza de que era o definitivo fim

Libertei-me daquele pérfido abraço
Atirando-me tempestade afora em busca de um novo sol
Com a imprudência de novos caminhos,
Embora estes com menos espinhos,
Senti raiar, ainda que entre nuvens,
A aurora de um novo amanhã.

Sorri na verdade do novo verso que me diz:
Não importa o que houve na tempestade,
O dia sempre amanhece feliz.

                                                                       Jean Rech

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