E mesmo assim, com o calor de tanta gente,
O inverno estava no vazio dentro de mim.
Vi o futuro escorregar dentre meus dedos,
O mel despencar dentre meus lábios,
O sal escorrer do meu olhar...
Vi meu corpo tornar-se álgido,
Minha alma amarga,
Meus sonhos... bem, que sonhos?
Tornou-se frágil o meu querer,
Tornou-se ausente o meu refúgio,
Tornou-se ontem o que era amanhã.
É de manhã e o sol aquece minha cama
Ardente como o desejo de uma nova era,
Mas suave e brando, como se já fosse primavera.
O presente num presente dando-me as mãos,
Um doce sorridente beijando-me a boca.
Apenas fecho os olhos para enxergar melhor.
Adormeço num abraço acalorado
Descansando minha alma fadigada,
Sonhando... Sonhando!!!
É de manhã e me dá as mãos o meu querer,
É o sonho que me esquenta no inverno,
É de manhã, e eu apenas fecho os olhos para enxergar melhor.
Jean Rech