sábado, 10 de janeiro de 2015

Aquela Noite

Só mais um amante de papel.
É de noite e a cama ainda está fria.
Sonhos e desejos numa noite vazia
Derretidos num ingrato amor de fel.

Saudade maior que em qualquer dia.
Como ter estrelas e não ter céu,
Como ter abelhas que não fazem mel,
Tenho aqui o amor mas não tenho a poesia.

Um solitário 'adeus' perverso
Era tudo que ela me dizia.
Assim então me despeço.

Pois nada mais faria
De que vale ter o verso
Se não tenho a poesia?

              Jean Rech